3 coisas que não esperava de Portugal

Nem sempre a expectativa corresponde à realidade

Quando comecei a planejar a minha mudança para Portugal fui acometido pela febre da informação.

Após viajar ao país, comecei a navegar compulsivamente na internet em busca de informação.

Ajudou muito, mas também gerou bastante confusão, principalmente quando o autor não fazia o trabalho de casa para dar informações precisas.

Mesmo depois dessa imensa pesquisa, três coisas se apresentaram bem diferentes do que esperava...

Europa não liga para carro

Na minha imaginação toda a população da Europa era adepta dos transportes públicos, independente de segmento econômico ou posição profissional.

Se o prefeito de Londres pega o metrozão e o primeiro ministro da Suécia vai de bicicleta para o trabalho, eu assumi que valia para todo o velho continente.

A realidade é que em Portugal há uma grande valorização do carro e mais do que isso, seus parceiros comerciais irão avaliar seu status social pela qualidade do possante.

Já em duas ocasiões, corretores gastaram alguns minutos de nossa conversa para explicar porque estavam com um Smart naquele dia, mas que tinham um outro carro muito bom em casa.

Em um reflexo inesperado, desaconselho o investimento em um imóvel mais sofisticado que esteja colado à uma estação de metrô.

O segmento de renda mais alta faz questão de ficar mais longe da estação - nem que sejam duas ou três quadras - para mostrar que não precisa do transporte.

E localizações longe do metrô podem ser bem valorizadas, como por exemplo a região da Foz no Porto.

A gente tem uma lei para isso

A sociedade aceita uma intervenção maior do estado nas relações de consumo, empresarial e até individual.

O governo direciona a atividade social e econômica, e participa fortemente da regulação. A sensação é que existe uma lei ou diretriz para tudo.

Por um lado é um saco, ao ponto do governo proibir salgadinho em lanchonete de hospital público.

Por outro lado é uma maravilha para os negócios. A segurança jurídica de um investidor e incorporador em Portugal é muito maior do que no Brasil.

Na compra de um imóvel, não havendo registro de dívidas ou restrições no momento da transação, a transferência é definitiva. No Brasil é possível questionar mesmo anos depois.

O incorporador sabe que em Portugal o cliente perderá todo o dinheiro adiantado se desistir de uma compra na planta. Enquanto no Brasil a enrolação é infinita e não há definição final de regras.

Entre ganhos e perdas, a balança tende para o positivo nessa questão.

Cadê meus 10 céntimos?

Fui fazer matrícula da minha filha na escola e fiquei muito tenso no final. O secretário geral começou uma longa descrição de uma tal taxa qualquer.

Fiquei com a impressão que seria limpado de alguns milhares de euros de tanto cuidado que aquele assunto estava requerendo.

Depois de alguns minutos excruciantes, o secretário me informou solenemente que seriam 35 euros.

Ufa, 35 euros não era o fim do mundo que eu estava esperando.

E desde então esse comportamento se repete. As pessoas fazem a maior solenidade para informar taxas de 5 euros.

E praticamente tenho que torcer o braço dos prestadores de serviço para conseguir uma estimativa de custos.

A sensação é que o dinheiro é muito mais valorizado, os céntimos (centavos) importam e todas as contas são analisadas com lupa.

E conhecendo como um português pode ser bravo, tenho certeza que os secretários já tiveram experiências traumatizantes ao tentar arrancar a tal taxa.

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Escrito por
Marcio Fenelon Formado em Administração de Empresas pela EAESP -FGV, tem duas pós-graduações pelo Insper e Fipecafi-USP. Possui 25 anos de experiência na área financeira de grandes empresas brasileiras, sendo os últimos 10 anos dedicados à análise e captação de recursos para investimentos imobiliários. Autor de dois livros, vários cursos e incontáveis relatórios com recomendações de investimento.
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