A Turquia virou perú

Populismo quase sempre não acaba bem

Uma vida inteira de comilança acabou tragicamente na mesa dos traders famintos por um dia de ação de graças adiantado. Sem nenhum dó coloca toda a conta no colo do presidente que é quase rei Recep Tayyip Erdoğan.

Populista e avesso à democracia, tem como única preocupação a manutenção do poder. Deve estar morrendo de medo de uma primavera árabe II - que pode ser bem violenta - caso se atreva a fazer o que é certo (mais impostos, corte de despesas e aumento dos juros).

Recep vai continuar jogando para a torcida. Coloca a culpa no mercado e nos EUA. O povo, acreditando ou não, vai pagar a conta através de mecanismos que nós conhecemos bem. Desvalorização da moeda e inflação.

Lamento pelo povo turco, mas o maior de todos os medos é o tal do contágio. Embora a economia turca seja pequena, pode causar um estrago considerável.

O processo acontece de forma simples. Quais são os países que estão fazendo besteira como a Turquia? E os bancos com exposição para a dívida turca, quem são, onde moram?

Essas perguntas apontam para a Itália, que acabou de eleger um governo populista, que já saiu berrando aos quatro ventos que é tudo intriga da oposição. Afirma categoricamente que não há problema fiscal que justifique um ataque especulativo a la Turquia.  

Seria divertido se não fosse trágico.

A brincadeira poderia ficar ainda mais séria se Itália por sua vez puxasse outro país qualquer para o centro das atenções e assim teríamos uma crise que eventualmente exigiria uma ação global.

A perda de confiança em um ambiente de contágio travaria o setor imobiliário de imediato, portanto é bom ficar atento. Enquanto escrevo essas linhas, as notícias são que EUA e Turquia conversam para neutralizar a guerra comercial, aliviando a barra do país europeu.  

Vamos combinar que é temporário, caso a Turquia continue a ignorar os fundamentos.

No lado mais oeste da Península Ibérica, é com alívio ver um governo de centro-esquerda ser tão mão-de-vaca quanto a centro-direita. É chato quando demora um século na fila do SEF por falta de funcionários, mas o resultado final é recompensador.

Portugal não é a bola de vez. Isso se chama confiança. Simples assim.

Abraço.

Marcio Fenelon

Compartilhar esse artigo

Escrito por
Marcio Fenelon Formado em Administração de Empresas pela EAESP -FGV, tem duas pós-graduações pelo Insper e Fipecafi-USP. Possui 25 anos de experiência na área financeira de grandes empresas brasileiras, sendo os últimos 10 anos dedicados à análise e captação de recursos para investimentos imobiliários. Autor de dois livros, vários cursos e incontáveis relatórios com recomendações de investimento.
QUERO PARTICIPAR DO MONEYBALL IMOBILIÁRIO

Sua inscrição poderá ser cancelada a qualquer momento, basta clicar em “descadastrar” em alguma das newsletters. Este é um serviço gratuito da Quaest Europa e seu endereço de e-mail nunca será compartilhado. Política de Privacidade.


Nossas redes sociais

Entre em contato

Através do email [email protected]

ou pelo formulário de contato