Decepcionado

Uma convicção perigosa

Recebi mais um dos e-mails apocalípticos sobre Portugal e Europa. A tese é que a taxa de juros vai subir e que as famílias não terão como pagar os financiamentos e assim aconteceria uma nova crise.

Interessante notar que muita gente acha que o roteiro da próxima crise será muito similar à anterior: excesso de crédito, inadimplência e queda de preços.

Pessoalmente eu fiquei decepcionado, porque eu queria muito que fosse assim tão fácil. Venderia tudo e ficaria só esperando a crise para comprar barato.

Infelizmente está longe de ser líquido e certo. Eu ousaria dizer que está longe de ser o cenário provável.

Nada indica que há excesso de endividamento. Não achei nenhum indicador de que as famílias estão mais endividadas ou inadimplentes, seja em Portugal ou na Europa.

Porém, eu concordo com a noção que uma hora os juros terão que subir, afinal de contas não é natural que sejam negativos, porém todas as indicações são de uma leeeeeenta subida.

Mesmo assim é perigosa a convicção que uma alta dos juros desencadeará uma crise de crédito e queda dos preços dos imóveis.

Enquanto ficamos prestando enorme atenção para a tartaruga da esquerda, a crise de crédito, a da direita -  inflação - pode estar fugindo.

A inflação já está pegando força na Europa. Não sou economista, mas desconfio que seja o aumento dos salários porque o desemprego está caindo rapidamente em economias ainda crescendo bastante.  

A galera está conseguindo salários melhores, o que significa dizer que poderão também arcar com prestações maiores. Goodbye crise de crédito.

Que fique claro que ninguém tem certeza de nada - nunca deixe que alguém te convença do contrário, porém é importante entender que a crise de crédito não é o cenário mais provável e as repercussões de um cenário de inflação são totalmente diferentes.

A crise de crédito faz o preço despencar, enquanto a inflação é a melhor amiga dos imóveis, devido a sua característica de reserva de valor e fluxo de caixa indexado.  

Sim, porque os aluguéis são oficialmente indexados pela inflação e já sabemos que os imóveis valorizam no longo prazo pelo mesmo índice.  

Abraço.

Marcio Fenelon

 

 

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Escrito por
Marcio Fenelon Formado em Administração de Empresas pela EAESP -FGV, tem duas pós-graduações pelo Insper e Fipecafi-USP. Possui 25 anos de experiência na área financeira de grandes empresas brasileiras, sendo os últimos 10 anos dedicados à análise e captação de recursos para investimentos imobiliários. Autor de dois livros, vários cursos e incontáveis relatórios com recomendações de investimento.
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