Quem sai de casa para estudar precisa de uma casa

A atratividade do negócio de alojamento estudantil

Nasci na Av. Paulista. E vivi nas regiões norte, sul e leste da cidade de São Paulo. Na escola era tudo mundo da cidade também, com exceção do Botucatu, que recebeu o apelido em homenagem a sua cidade natal e pelo forte sotaque carregado nos erres.  

Talvez seja por isso que me surpreendi com a quantidade de alunos do interior em minha classe da faculdade. Na minha cabecinha de adolescente, esqueci que o ensino superior atraia gente de outros lugares.  

Eles formavam um grupo coeso, entendiam que repartiam o desafio de estar longe de caso e se ajudavam, porém se integrando com o resto da classe. Além de estudo, todos tinham o desafio de gerir uma casa pela primeira vez. E a necessidade de caber no orçamento.

Dois moravam em repúblicas, apartamentos grandes com muitas pessoas, geralmente da mesma cidade, para dividir as contas. Pelo que contavam era caótico e divertido.  

Um dos mais sortudos dividia com os irmãos um apartamento que o pai comprou em uma região nobre da cidade. Foram muitas noites em claro terminando trabalhos em grupo naquela sala.

Pelo que me lembro, nunca ninguém reclamou sobre qualquer dificuldade para achar um teto, porém o mesmo não se pode dizer atualmente sobre Portugal, como fica claro nessa reportagem.

Em poucos palavras, o relato é de abuso e oportunismo. Hospedagem de qualidade duvidosa por preços irreais, senhorios se recusando a passar recibos e imóveis mal geridos.

Não vamos esquecer que jornal está atrás de cliques e assinaturas, então tem uma pitada de sensacionalismo, porém é inegável que um quarto em Lisboa sendo alugado na média por 485 euros, mais de 80% de um salário mínimo, é para se pensar que alguma coisa não vai bem.

O estudante estrangeiro, que geralmente vem de um país mais rico, nem sente muito. Já o bolso do português vai sofrer mais para pagar alojamento, alimentação, transporte e mensalidades escolares.

Embora o sofrimento seja patente, o negócio de hospedagem de estudantes continua com extremo vigor, pois de alguma forma as famílias se viram para pagar as contas.

O proprietário responsável pensa no longo prazo. Paga os impostos para não correr o risco de multas pesadas e trata os inquilinos com dignidade para ter uma reputação intacta. Quem opera de forma oportunista em um mercado aquecido não sobrevive quando desaquecer. Será o primeiro a ser abandonado.

A equação de ocupação do imóvel é bem interessante, pois aluga-se para estudantes de setembro às primeiras semanas de junho e para turistas nos meses da alta temporada de férias.

A demanda de alojamento estudantil é menos volátil que o turismo. A educação é item considerado essencial para as famílias, enquanto o turismo é essencialmente um consumo supérfluo que pode ser facilmente reduzido ou até eliminado.

Considerando o perfil de demanda mais constante e os retornos esperados similares quando se computam os custos de operação, em muitos casos a relação risco-retorno do negócio estudantil se revela muito mais atrativa.

Abraço.

Marcio Fenelon

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Escrito por
Marcio Fenelon Formado em Administração de Empresas pela EAESP -FGV, tem duas pós-graduações pelo Insper e Fipecafi-USP. Possui 25 anos de experiência na área financeira de grandes empresas brasileiras, sendo os últimos 10 anos dedicados à análise e captação de recursos para investimentos imobiliários. Autor de dois livros, vários cursos e incontáveis relatórios com recomendações de investimento.
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